Entenda como operava a ‘central de golpes’ desmantelada na Avenida Faria Lima, em São Paulo
Estrutura profissional, uso de tecnologia e aparência de escritório corporativo ajudavam a enganar vítimas em todo o país
São Paulo — A operação policial que fechou uma suposta “central de golpes” instalada na Avenida Faria Lima, um dos endereços comerciais mais valorizados do país, revelou um esquema sofisticado de fraudes financeiras que funcionava com aparência de empresa formal, rotina organizada e uso intensivo de tecnologia.
Segundo a investigação, o local operava como um verdadeiro call center do crime, a partir do qual suspeitos aplicavam golpes em vítimas de diferentes estados, explorando principalmente fraudes bancárias, falsas negociações financeiras e técnicas avançadas de engenharia social.
Escritório de luxo para dar credibilidade ao esquema
De acordo com a polícia, a escolha da Avenida Faria Lima não foi aleatória. O endereço nobre ajudava a transmitir credibilidade e confiança às vítimas, reduzindo suspeitas iniciais e facilitando a aplicação dos golpes.
O espaço contava com estações de trabalho, computadores, celulares, softwares de comunicação, além de roteiros prontos para abordagem. Para os investigadores, o ambiente simulava uma empresa legítima, o que dificultava a percepção imediata da fraude.
Como funcionava o golpe, segundo a polícia
As investigações indicam que o esquema seguia um roteiro bem definido, dividido em etapas:
- Contato inicial com a vítima por telefone, WhatsApp ou outros aplicativos;
- Uso de dados pessoais obtidos ilegalmente para tornar a abordagem mais convincente;
- Simulação de bancos, empresas ou plataformas de investimento;
- Criação de senso de urgência, como supostos bloqueios de conta ou fraudes em andamento;
- Indução à transferência de valores, pagamentos via PIX ou fornecimento de dados bancários.
Em muitos casos, as vítimas só percebiam o golpe após perderem acesso aos recursos ou ao tentarem novo contato com os supostos atendentes.
Divisão de tarefas e organização interna
A polícia identificou que os integrantes do grupo tinham funções bem definidas. Havia operadores responsáveis pelo primeiro contato, outros encarregados da persuasão e um núcleo dedicado à movimentação e pulverização do dinheiro obtido de forma ilegal.
Segundo os investigadores, essa divisão dificultava o rastreamento dos valores e ampliava o alcance do esquema.
“Não se tratava de uma ação improvisada. Era uma estrutura organizada, com método, hierarquia e treinamento”, afirmou um investigador envolvido no caso.
Golpes cada vez mais sofisticados
Especialistas apontam que esquemas desse tipo têm se tornado mais comuns, especialmente em grandes centros financeiros. A combinação de vazamento de dados, tecnologia e linguagem corporativa elevou o nível de sofisticação das fraudes.
A aparência profissional do escritório e o discurso técnico ajudavam a enganar inclusive vítimas com maior nível de instrução.
Investigações continuam
A polícia segue investigando o caso para identificar todos os envolvidos, possíveis ramificações e o destino final dos valores movimentados. Não está descartada a existência de outras estruturas semelhantes em funcionamento.
Os suspeitos podem responder por crimes como estelionato, associação criminosa e lavagem de dinheiro.
Alerta ao público
As autoridades reforçam que instituições financeiras não solicitam senhas, códigos de segurança ou transferências urgentes por telefone ou mensagem. Em caso de contato suspeito, a orientação é interromper a comunicação e procurar diretamente os canais oficiais da instituição.
